2006-03-17

Provérbios

Gosto de provérbios, conheço alguns e uso-os diáriamente! Ora, cá ficam alguns: Quem não tem cão, caça com o gato. Quem corre por gosto não cansa. A laranja de manhã é ouro, à tarde prata e à noite mata. Albarda-se o burro à vontade do dono. A cavalo dado não se olha o dente. Em tempo de guerra não se limpam armas. Com as calças do meu avô, também eu era um homem. Quem tem unhas toca guitarra. Deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer. De manhã é que se começa o dia. Está o vento de Ourém, não se ouve cá bem! Trigo limpo, farinha amparo.

2006-03-16

Ausência

Urgência do Hospital de Abrantes, 16:00 horas. Entra um casal de idosos, o homem seguia a sua mulher que seguia deitada, inanimada, numa maca. Seguia-a em silêncio, com lágrimas no rosto. Os enfermeiros continuaram a andar, abriram as portas em par e disseram: - O senhor espera aqui. As portas fecharam-se, com grande estrondo, nesse momento foi como se o homem tivesse despertado e começou a falar. Falava e as lágrimas ainda corriam ainda mais depressa, e dizia: - Quero ir também, quero estar com a minha Rosa. A minha Rosa vai e eu também quero ir. Tirem-me o pacemaker, tirem-me o pacemaker… O monólogo continuou, as lágrimas continuaram.
O som da voz foi diminuindo, as lágrimas não, a dor não. A dor… Ir, partir, deixar este mundo, falecer, morrer. A morte é parte da vida, mas a vida dos que não vão, não partem, não deixam este mundo, não falecem, não morrem não é a mesma depois da morte. A ausência…

2006-03-13

Animais

Gostam de animais, especialmente gatos e cães. Ela teve um papagaio fêmea, a Rita, que morreu de velhice. Um rouxinol, que voou da gaiola e fez muito bem! (Gosta de pássaros, mas não gosta de os ver nas gaiolas)... um hamster, que a gata, a Espanhola, chacinou assim que aprendeu a abrir a gaiola! (Lá está, as gaiolas!) Dois peixes, o Adriano e o Virgílio, que faleceram por terem comido de mais! Resignou-se às evidências, não podia ter animais “engaiolados”… e gatos, muitos gatos, Fofinhos foram dois, Espanholas três, um Pantufa, um Tareco e outros, os dos vizinhos que também por lá apareciam! Ele teve dois cães, o Snoppy e o Putchy, um gato, (herdado) o Napoleão, por estranho que pareça todos faleceram por doença… Agora em casa deles, quem manda são as “meninas”, a Xinha Amália e a Lucy in the sky with diamonds. São meros servos dos seus desejos e caprichos, mas são felizes com elas e elas com eles!

Estiveram no Oceanário e mais uma vez ficaram deslumbrados! Quando visitam os peixinhos ficam sempre maravilhados! É o azul, as cores, os peixes tão diferentes, aquele ritmo lento que desfila diante dos olhos. A Manta é relaxante, passa por eles a voar majestosamente, como se não houvesse tempo, como se não houvesse espaço… e o peixito sempre em cima dela! As Lontras são adoráveis, nos seus mergulhos e na sua tarefa infinita de friccionar o pêlo, parece que estão sempre prontas para a brincadeira. O favorito dela é o Peixe-Lua, nunca tinha visto nenhum, nem sabia que existiam, mas é o seu favorito. Parece que não tem corpo, só cara! Desta vez até os brindou com algo que nunca tínham visto: largada de excrementos! (Natural, afinal está em casa dele!) Gostam de ficar sentados, juntos, a olhar para aquela pequena amostra de oceano.

2006-03-09

Bucólica

A vida é feita de nadas: De pequenas serras paradas À espera de movimento; De searas onduladas Pelo vento De casas de moradia Caídas e com sinais De ninhos que outrora havia Nos beirais; De poeira; De sombra de uma figueira; Dever esta maravilha: Meu Pai erguer uma videira Como uma mãe que faz a trança à filha. Miguel Torga (Que tal, para pensamento do dia?)

2006-03-08

Dia da Mulher?!

Não concordo com o dia da mulher. Este dia não é diferente para nenhuma de nós e serve unicamente para acentuar o atraso e descriminação que ainda existe na sociedade relativamente às questões femininas. As mulheres são o motor da sociedade. Os homens nascem do ventre da mulher, são educados pela mãe, namoram ou casam-se com uma mulher (maioritariamente!). As mulheres estão presentes em todos os acontecimentos desde a criação do mundo! Porque é que necessitamos de um dia?!? Porquê? Será que não eramos reconhecidas sem este dia? Será que somos reconhecidas com este dia?
Não faz diferença nenhuma. Ou faz? ...

2006-03-07

Retrato a Preto e Branco

Ouço música todos os dias e não consigo estar em casa sem ter alguma coisa a tocar na aparelhagem. É nela que me encontro. Comecei cedo a estudar música e se inicialmente nem sabia muito bem porque o fazia, mais tarde tornou-se parte da minha vida. Existem músicas que me (nos) marcam e hoje deixo mais uma.

Retrato a Preto e Branco Letra de Chico Buarque de Holanda e música de António (Tom) Carlos Jobim. Já conheço os passos dessa estrada Sei que não vai dar em nada Seus segredos sei de cor

Já conheço as pedras do caminho E sei também que ali sozinhoEu vou ficar, tanto pior

O que é que eu posso contra o encanto Desse amor que eu nego tanto Evito tanto

E que no entantoVolta sempre a enfeitiçar Com seus mesmos tristes velhos fatos

Que num álbum de retratoEu teimo em coleccionar

Lá vou eu de novo como um tolo Procurar o desconsolo Que cansei de conhecer

Novos dias tristes, noites claras Versos, cartas, minha cara Ainda volto a lhe escrever

Pra lhe dizer que isso é pecado Eu trago o peito tão marcado De lembranças do passado

E você sabe a razão Vou coleccionar mais um soneto Outro retrato em branco e preto

A maltratar meu coração Vou coleccionar mais um soneto Outro retrato em branco e preto

A maltratar meu coração

Recomendo a versão de Ney Matogrosso, apesar de existirem umas dezenas de versões, ou Maria Bethania, embora prefira Ney!

2006-03-06

Não é?

Amor não é sofrimento, é calar o lamento Amor não é vencer, é nem sempre perder Amor não é chorar, é saber aliviar Amor não é sofrer é por vezes esquecer Amor não é cego, é não ouvir o ego Amor não é loucura, é não querer cura Amor não é fogueira, é o teu corpo à minha beira! César Gonçalves

2006-03-04

Há palavras que nos beijam

Há palavras que nos beijam Como se tivessem boca. Palavras de amor, de esperança, De imenso amor, de esperança louca. Palavras nuas que beijas Quando a noite perde o rosto; Palavras que se recusam Aos muros do teu desgosto. De repente coloridas Entre palavras sem cor, Esperadas inesperadas Como a poesia ou o amor. (O nome de quem se ama Letra a letra revelado No mármore distraído No papel abandonado) Palavras que nos transportam Aonde a noite é mais forte, Ao silêncio dos amantes Abraçados contra a morte. Alexandre O’Neill/ Mário Pacheco (Mariza - Transparente)

2006-03-03

Teatro

A noite passada fui a mais uma encenação, a decorrer no âmbito da Cenourem, pelo grupo de teatro de Pêras Ruivas. Em cena está a adaptação do livro o Principezinho de Saint-Exupery. Gostei muito do trabalho desenvolvido pelo grupo. As personagens estavam todas muito expressivas, excelentes representações, o texto muito explícito, a música adequada às cenas e à peça, e por isso a mensagem passou muito bem. Gostei mesmo muito da peça e da actuação de todos. Sai de lá mais leve. Aconselho o visionamento da peça e a reflectir um pouco no seu sentido. Por vezes na atribulação diária esquecemo-nos de ser felizes, de olhar para outros com igualdade e compreensão…

Todos diferentes, todos iguais! CARPE DIEM

2006-03-02

Quem como eu

Quem como eu em silêncio tece
Bailados, jardins e harmonias?
Quem como eu se perde e se dispersa
Nas coisas e nos dias?
Obra Poética I - Sophia de Mello Breyner Andresen

2006-03-01

Foto e Legenda

Descobri agora este blog Foto & Legenda, que me enche as medidas. Fotografia e texto, são duas das minhas paixões.
Agradeço aos criadores por tão bela ideia.
Vão lá ver, promete ainda mais do que já tem.

Fim-de-Semana Prolongado

Este fim-de-semana prolongado foi revigorante. É sempre bom rever amigos e locais que marcaram a nossa vida. Fomos ao cinema ver “Pecado Capital” com a magnífica interpretação de Vicent Cassel (se bem que sou suspeita para falar dele, sou fã!). Também fui ver Munique, é um filme que me (nos) faz pensar e questionar toda a questão israelita/palestiniana. É um bom filme. Não destaco nenhum dos actores, porque o filme é história e não interpretação. Tem, no entanto, excelentes actores. Estivemos com amigos, jantamos, conversamos (algumas conversas um pouco controversas), visitamos a casa nova de um amigo, bem instalada em Terras de Bouro,
com vista para o Homem e para a Serra, que estes dias estava linda, toda branquinha. Como a serra estava irresistível, demos um passeio para apreciar a beleza que a neve por ali deixou.
Este fim-de-semana serviu para matar saudades, mas também serviu para me lembrar que aqui é o meu/nosso lugar. Em Braga fui/fomos muito feliz. É a cidade da minha vida, mas aqui é o meu canto, as minhas raizes.
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