2006-04-12

A Lucy está doente...

Sofre de uma estranha doença, não identificada pelos veterinários, que lhe paralisa as patas traseiras, rigidez muscular que intercala com tremores e dores intensas nas patas dianteiras e pescoço. Tem esta doença desde sempre, manifestou-se a primeira vez aos seis meses e dai até fazer um ano, esteve sempre doente. Não sabia que a medicina animal era tão evoluída. Têm todos os exames, tal como os existentes para humanos. Não sabia, mas quando percebi que a Lucy podia sobreviver permiti que fosse submetida aos mais diversos tratamentos e exames. Nunca tinha chorado tanto por um animal como chorei pela Lucy. Durante os cinco meses de tortura desenvolvi um entendimento tão profundo com ela que hoje conheço cada movimento, cada olhar, cada guincho… Neste período esteve internada um mês, visitava-a todos os dias, conversava com ela e nos dias que estava melhor pegava nela ao colo. Frequentemente urinava em cima de mim, tal era a emoção! Sabia que não havia muita esperança, a palavra eutanásia surgiu demasiadas vezes, mas insisti e não desisti da Lucy, embora muitas vezes me olhasse a suplicar que acabasse com todo aquele sofrimento … Nunca tinha visto um animal sofrer tanto. Após meses de injecções diárias, mieloscopias, contrastes disto e daquilo, jejuns e cortisonas, ela reagiu e saiu do “coma”! Três meses depois de ter voltado para casa voltou a ficar doente. Não era tão grave, conseguia andar, mas a rigidez muscular e os tremores tinham voltado, não suportava sequer que lhe tocássemos tal eram as dores. Voltamos ao veterinário que sugeriu reiniciar o tratamento, que consistia em injecções intravenosas diárias durante um mês. Este procedimento, já antes efectuado, implicava que a Lucy tivesse uma canula na pata, mais uma vez concordei, apesar de me doer a alma por submete-la novamente todo aquele sofrimento. No momento que o veterinário lhe rapava o pêlo da pata, já eu chorava, a Lucy olhou para mim e vi novamente aquele olhar de súplica… naquele momento compreendi o seu pedido e decidi não a submeter a nova tortura. O veterinário alertou para a irresponsabilidade da decisão, provavelmente ela não aguentaria. Prescreveu comprimidos de cortisona e anti-inflamatórios, caldos de galinha e arroz cozido. Voltei para casa com ela e durante três dias não se mexeu, mas consegui dar-lhe os medicamentos e os caldos de galinha. Ao quarto dia levantou-se, frágil, como se caminhasse pela primeira vez e veio até mim, com aquele olhar de agradecimento e mais uma vez nos entendemos… Prometi a mim e a ela que não voltaria a submete-la a todas aquelas torturas, porque às tantas já não sabia se ela estava doente da doença ou do tratamento (insuficiência renal e hepática, obstipação….) A eutanásia é um direito de quem vive em sofrimento. Passaram dois anos de brincadeiras, correrias, saltos, muitos saltos, tontarias e mimo, muito mimo. Nós damos-lhe muito mimo, muito amor e ela dá-nos tantas alegrias, é a filha que não temos! Sexta-feira voltou a doença… Já fomos ao veterinário, está medicada. Já carpi, baba e ranho, mas parece que mais uma vez vamos resistir. Hoje está muito bem disposta, já abana o rabito, já se espreguiça e isso é muito bom sinal. Espero que entretanto venham as correrias, os saltos que a caracterizam e o chinfrim vocal a tudo quanto é mota e ciclista!

2 comentários:

Mario Abreu disse...

Como eu compreendo!
7º comentario:
http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22926437&postID=114281598192164282

Cumprimentos

Tanita disse...

bem.. eu bem digo que uma semana fora faz toda a diferença...
Espero que a Lucynha esteja melhor!
Beijo!

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